Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade (Jo 4:23-24).
Introdução:
Deus nos criou para o louvor da Sua glória. Mas não um louvor qualquer, oferecido levianamente. O Senhor deseja um tipo especial de adoração. Ele não quer sacrifícios, mas obediência; Ele não estipula hora nem local para receber a nossa adoração. Somos livres para adorá-lo em todo o tempo. Contudo, o Senhor requer adoração genuína, a que é oferecida em total reverência. E só os que são íntimos do Pai conseguem tal nível de adoração. Quando conseguimos nos entregar a Ele totalmente, assim como a noiva se rende nos braços do amado, então podemos adorar ao nosso Amado, em espírito e em verdade.
Criados para o louvor da glória de Deus (Ef 1.12).
Existimos para adorar a Deus, mas o pecado interrompeu a plena comunhão que o homem tinha com o Criador. E, até hoje, enquanto não encontram o verdadeiro Senhor, digno de toda a adoração, os homens adoram coisas, animais e os próprios homens. Mas quando somos transformados em novas criaturas, temos a oportunidade de ser os verdadeiros adoradores que o Pai procura.
1.1. Louvamos a Deus com a nossa vida
Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus (I Co 10.31). Tudo o que fazemos deve ser uma expressão de louvor a Deus. Não podemos agir como se fôssemos donos de nós mesmos, porque não o somos desde o dia em que pedimos: “Senhor, toma conta da minha vida!” Quando nos submetemos a Deus, somos ensinados por Ele e nos tornamos adoradores em potencial.
1.2. Louvamos a Deus com os nossos pensamentos
Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento (Fp 4:8). Alguém já disse que não podemos impedir que um pássaro pouse em nossa cabeça, mas podemos impedi-lo de fazer um ninho nela. Os pensamentos são como flechas, e podemos direcioná-los para onde quisermos. Podemos fixá-los nas concupiscências da carne ou nas promessas de Deus. Podemos dar-lhes liberdade para agir de acordo com a nossa vontade ou submetê-los à vontade soberana de Deus. Podemos moldá-los consoante os padrões do mundo ou renová-los em Cristo Jesus. Louvar a Deus com os nossos pensamentos é uma questão de escolha, e precisamos nos fortalecer no Senhor para que o honremos com a nossa mente.
1.3. Louvamos a Deus com a nossa obediência.
Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância (I Pe 1.14). Louvamos a Deus quando obedecemos com alegria aos Seus mandamentos. Assim como um pai se alegra com a fidelidade de seus filhos, Deus, o Pai, “pulsa” de alegria quando escolhemos fazer a Sua vontade. Ainda que para isso tenhamos de “esmurrar” a nossa carne, que voluntariosamente tenta nos arrastar para a satisfação de nossas vontades. Louvamos a Deus com a nossa obediência quando abandonamos a roupagem da nossa antiga natureza, pecaminosa e egoísta, e nos vestimos de santidade.
1.4. Louvamos a Deus com a nossa voz
A nossas cordas vocais são harpas que entoam canções para embalar o coração de Deus. Não importa se somos exímios cantores. Quando o louvor vem de um coração quebrantado, ele chega aos ouvido do Pai com acordes perfeitos, como o som de um coro de anjos. É a intenção do louvor que toca o coração de Deus. E quando Ele recebe esse louvor, a Sua bênção é liberada.
1.5. O louvor é arma de guerra
Por volta da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam louvores a Deus, e os demais companheiros de prisão escutavam. De repente, sobreveio tamanho terremoto, que sacudiu os alicerces da prisão; abriram-se todas as portas, e soltaram-se as cadeias de todos (At 16.25-26). Devemos louvar a Deus em todas as circunstâncias, porque por maiores que sejam as nossas lutas, por mais cruéis que estejam as nossas batalhas, o louvor será sempre uma arma de guerra. Paulo e Silas estavam encarcerados, mas ainda assim eles louvavam a Deus. E as cadeias se romperam, o carcereiro foi salvo e toda a sua família. Não se intimide com suas aflições, antes, vença-as pela fé, pelo constante louvor que deve flui de seu coração, em oferta suave ao Senhor. E os que estiverem ao seu redor conhecerão o seu Deus, aquele que transforma vidas e delas faz brotar o louvor como sublime forma de expressão de amor. Quando tudo parecer contrário, quando as circunstâncias lhe apresentarem um quadro de desolação, ainda assim, louve a Deus.
Louvamos a Deus pelo que Ele faz; pela grande obra de redenção que Ele fez em nossa vida, por tudo o que temos e o que somos. Ele nos tirou de um poço de perdição, livrou-nos da degradação moral, do pecado e da morte eterna, para firmar os nossos pés sobre a Rocha – Jesus (Sl 40.2-30). Louvamos a Deus porque Ele nos dá o discernimento espiritual para não cairmos nos laços de Satanás. Louvamos a Deus pela Sua misericórdia que se renova a cada dia, para que não sejamos consumidos. Louvamos a Deus porque apesar de todas as nossas falhas, Ele sempre nos dá uma nova chance para recomeçar. Louvamos a Deus porque Ele está sempre conosco, e Sua mão constantemente estendida a nosso favor. Louvamos a Deus pelo dom da vida, pela alegria de poder desfrutá-la na Sua presença, independentemente da nossa condição física, financeira ou social. Se você tem ou não voz; se enxerga ou não; se anda ou não; se ouve ou não... Louve a Deus! E ele ouvirá cada nota, ainda que muda, completamente sem som. Ele escuta, Se alegra com o seu louvor e libera a bênção!
Se você estiver alegre, louve ao Senhor; se estiver triste, também louve ao Senhor. Experimente trocar a murmuração, todo tipo de lamúria, de pessimismo e autocomiseração pelo louvor. Você vai se surpreender com os resultados!
Transformados para adorar
Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna [...] Tributai ao Senhor a glória devida ao seu nome, adorai o Senhor na beleza da santidade (Rm 6.22 Sl 29.2).
Fomos transformados de pecadores a adoradores. Deus não pode aceitar adoração de lábios fraudulentos, por isso, sem a redenção não seríamos capazes de adorá-lo. Éramos pecadores condenados à eterna escuridão. Entretanto, Ele nos resgatou das mãos do diabo para o Seu reino de luz, e hoje somos totalmente limpos do pecado que nos separava dele. Agora, podemos nos prostrar em adoração, em espírito e em verdade, como deseja o Senhor.
2.1. Adorando em oração
Suba à tua presença a minha oração, como incenso, e seja o erguer de minhas mãos como oferenda vespertina (Sl 141.2).
O incenso é uma resina de perfume agradável de certas árvores que, misturada com especiarias era queimada nas solenidades de adoração a Deus. O incenso era símbolo das orações que subiam para Deus (Ap 8.3-5). As orações, sinceras, extraídas de um coração quebrantado e rendido a Deus tocam o coração do Pai, que Se inclina para nos abençoar.
Jesus adorou a Deus entregando a própria vida em sacrifício. O Filho de Deus adorava-o com oração, em total obediência: “ Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua”(Lc 22.42). É esse tipo de adoração que Deus espera de Seus filhos – uma entrega total, sem reservas, pela qual a nossa vida é entregue como sacrifício vivo. A adoração genuína, gerada pelo reconhecimento da santidade e do poder de Deus. A adoração que flui de lábios de alguém que se entregou completamente a Ele; alguém que não reclama seus interesses, antes busca os do Reino, que gera vidas, adoradores para o Pai. Alguém que sabe orar o que está no coração de Deus, porque tem intimidade com o Deus que está em seu coração.
Adoramos a Deus com a nossa oração, quando ela deixa de ser apenas um amontoado medíocre de palavras que não alcançam o trono de Deus, para se transformar em decisões que impactam o mundo quando colocadas em prática. Jesus orou no Getsêmani, permitindo que Deus fizesse tudo conforme a Sua vontade. E com a Sua atitude de caminhar até o Calvário e permitir que o pendurassem no madeiro, Ele trouxe salvação para uma humanidade perdida, totalmente pecadora. A ressurreição de Jesus traz vida para os que estão mortos em seus pecados.
A oração é uma forma tremenda de adoração! Vamos orar: “venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.10) e permitir que a vontade de Deus seja feita em nossa vida de modo a revelar ao mundo o Senhor que cura e liberta. Liberta do pecado, dos medos, da injustiça e de todas as prisões que o homem experimenta a cada dia com mais violência. Adorar a Deus com a nossa oração é transformar a nossa fé em agente de salvação em Cristo. É orar e agir. Orar buscando poder; e agir aplicando esse poder para a glória do próprio Deus.
O verdadeiro adorador faz da sua oração um ato de adoração, que sobe até o trono da graça, como incenso suave, perfumado e agradável a Deus.
2.2. Adoramos a Deus quando abdicamos
Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará (Lc 9.24). Perder a vida pela causa de Jesus é abdicar de nossos preconceitos, de nossos conhecimentos, de nossos desejos carnais para nos voltarmos inteiramente para o Senhor, a Sua justiça e o seu Reino. Não conseguimos adorar a Deus em espírito e em verdade se entre Ele e nós estiverem todos os pensamentos, sentimentos e emoções da velha natureza pecaminosa. Adoraremos em espírito e em verdade quando a nossa mente e a nossa vontade estiverem sujeitas a Cristo; e o nosso espírito, alinhado ao Espírito Santo de Deus.
2.3. Adoramos a Deus quando somos transformados
E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Rm 12.2).
Somos desafiados a não nos conformarmos com o mundo, com os seus padrões, seus convites tentadores, suas sugestões maliciosas, seus enganos sutis. Os adoradores de Deus não podem se perverter com as propostas que Satanás mascara de “direitos”. Os nossos direitos estão assegurados pela Palavra de Deus, para quem não existem impossíveis. É esse Deus, a quem devemos adorar, que tem poder para nos transformar. Fomos salvos por Jesus, agora, nos cabe decidir transformar a nossa vida. A nossa mente precisa estar constantemente ocupada com o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, de boa fama, virtuoso e que encerra louvor. Somente em Cristo temos real condição de sermos transformados para a adoração.
A transformação daqueles que crêem no Senhor Jesus se dá pelo Espírito Santo, que trata as pessoas de maneira individual, revelando o que precisa ser mudado, capacitando-os para a grande transformação que vai levá-los à adoração genuína, em espírito e em verdade, como quer o Senhor.
Caminhe em novidade de vida e de espírito, renove a sua mente em Cristo e experimente a vontade de Deus para a sua vida. Assim, íntimo de Deus, você adorará genuinamente.
Tributai ao Senhor a glória devida ao seu nome, adorai o Senhor na beleza da santidade. (Sl 29.2.)
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